Jan 8, 2010
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A Irlanda dos Leprechauns – parte 1

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Aqui estou eu na terra dos Leprechauns e da cerveja, onde tudo e verde. Mesmo? Só no verão, porque agora tudo e branco, com muita neve e gelo. A vinda pra cá já começou complicada no aeroporto. Cheguei mais cedo no aeroporto, pois pretendia antecipar meu vôo, afinal não havia mais nada pra fazer por lá e a frente fria da Sibéria estava chegando mais perto. Mais um dia e eu podia estender minha permanência em Glasgow por um bom tempo.
Meu vôo era pela BMI – British Midlands International, uma empresa local cujas aeromoças usam um chapéu preto e azul ridículo. Acreditem, é ridículo mesmo.
[photopress:070402_bmi_girls.jpg,full,centered] Chego ao guichê da BMI e consigo o que quero. Minha preocupação era com uma conexão em Londres, em Heathrow, pois a neve já estava fazendo suas vitimas. Vôo marcado para as 15h30min com conexão em Londres para Dublin apenas as 19h00min. Perfeito.
Perfeito coisa nenhuma. O painel do aeroporto começa a mudar. 15h40min agora. Sem nada pra fazer, aproveito a bateria do netbook e a conexão Wi-fi do aeroporto para usar o MSN e checar meus emails. Já que twitter e Orkut podiam ser acessados no celular, o netbook ficava para as coisas mais pesadas. Fome. Hora de ir ao restaurante no aeroporto de Glasgow e comprar alguma coisa, pois estava a fim de usar uma de suas mesas e minha cara de pau não me permitia fazê-lo sem comprar nada. 🙂 Lanche numero 1: sanduíche e suco de laranja. Uma hora depois, nova mudança no painel: 16h10min. Começo a me preocupar. Nova visita ao balcão. Dessa vez, uma coisa que parecia uma tortilha e um suco de vermelho. Isso mesmo, um monte de coisa vermelha junta. Era suco de vermelho. Agora e hora de ler o Símbolo Perdido. Alguns capítulos depois e mais uma hora de espera e nova mudança no painel. Agora era as 17h00min. Vou ate o balcão da BMI pedir explicações e ouço um “Não se preocupe, o vôo dura apenas uma hora e você chegara a tempo de pegar o seu vôo para Dublin.” O que mais queria naquele momento era deixar a Escócia, pois se não o fizesse naquele momento, corria o risco de não poder fazê-lo por um bom tempo. Mas noticias: Gatwick, em Londres acaba de ser fechado pela neve. Mas vamos ter um pensamento positivo. Volto ao balcão novamente. A loirinha olha pra mim, ri e faz uma cara de “E então, o que vai ser dessa vez?”. Eu faço uma piadinha pra descontrair e vou de brownie de chocolate e um suco de amarelo – o único que ainda não tinha provado. Estômago mais que cheio, e hora de ir para a área de embarque, o que deixo sempre pra depois para evitar que compre coisas no “free shop” das quais realmente não preciso. 🙂
Novamente vou ate o balcão de informações da BMI e outra atendente com aquele chapéu ridículo vem me atender. Pra variar uma ruiva.
Parada para reflexão.
Uma coisa engraçada que percebi e que a Escócia e o lar das ruivas. A cada 10 mulheres que passaram por mim, pelo menos 7 delas eram ruivas. Isso no ônibus, no trem e nas ruas. Aqui nem tanto por ser um aeroporto e ter pessoas do mundo inteiro. Ruivas de olhos verdes em sua maioria. Lugar legal para visitar no verão, com mais tempo. Por enquanto, estou preferindo as australianas. 🙂
Fim da parada de reflexão.
Voltando a minha jornada, espero pacientemente no portão 24 ate que a moça da BMI me pergunta qual será mesmo meu vôo. BD121. Ela faz uma cara preocupada e pega o radio. Agora sou eu quem está preocupado. Agora, ela tem 110% da minha atenção. Blá blá blá. Não se preocupe Sr, o vôo em Londres está atrasado também.
Entro no avião e a brincadeira começa. Asas congeladas. Mais meia hora de vapor para descongelar. Hora da partida? 18:30h. Estou ferrado. Pensando bem, ate que não. Estaria preso em Londres. Uma hora de vôo depois, estou pousando em no aeroporto de Heatrow. Vou ate o balcão da BMI receber a noticia que deveria pegar minha mala e não poderia deixar a área 51 do aeroporto. Área 51? Explico. O mesmo que limbo. Você não esta na Inglaterra, pois não passou pelo controle de passaporte. Você não esta mais na Escócia, pois já passou pelo controle de passaporte. Onde você esta? Em lugar algum, no limbo, ou se preferir, na área 51. Vou até o balcão da BMI novamente, dessa vez no “Consumer Support” da empresa. Começo a ter idéias do que fazer com aquele chapéu ridículo e com suas donas. Vamos lá.
– Boa noite. Mostro os bilhetes e explico o que aconteceu.
Ela olha e imprime um novo. Pede desculpas e chama o próximo.
Problema resolvido, agora e só esperar o vôo e sair do limbo. Tão
Fora do limbo. São quase 10:00. Uso o celular para fazer uma ligação local e tentar deixar a noite mais agradável, esperando o vôo num lugar mais confortável, mas a neve é minha inimiga. O acesso do aeroporto ao centro de Londres esta fechado para limpar a neve. Frustração a parte, lembro que não há nada tão ruim que não possa piorar. Pego o novo bilhete da BMI e o horário do vôo e… tã tã tã tã… 17h00min do dia seguinte.
– Como é? Devo ter olhado errado. Não pode ser.
Mas é. Não posso mais entrar no limbo e pra piorar o guichê da BMI esta fechado. Maravilha.
– O que estou fazendo? Estou de férias. Pensamento reconfortante.
Hora de matar o tempo. Não posso sair do aeroporto e não tenho a intenção de ficar em Londres quando Dublin esta bem mais quente.
Ipod, livro, ipod, netbook, ipod, banheiro, ipod, comer alguma coisa, ipod, “ela e bonita mesmo ou sou eu que estou com sono”, ipod, livro, ipod, banheiro, ipod, pensamentos ruins com a atendente da BMI, ipod, ligação de Londres (:)), ipod, procurar um lugar pra ligar o carregador do celular. Pronto. São 5 da manha. Hora da briga.
Vou ao balcão da BMI e pra minha surpresa já tem gente dormindo lá. Alguns minutos depois, já são 5 atrás de mim na recém criada fila. Movimento no interior. Eles abriram. Aguardo minha vez e preparo minha mente para o que confronto. Penso no frio, na espera, nos planos estragados pela neve, e aciono o olhar psicótico versão 2010.
Um brasileiro atrás de mim reconhece o livro e conversamos alguns minutos. Ele também o está lendo, mas em seu Sony E-book reader. Sacanagem. Me senti primitivo com meu livro. Próximo ítem na minha lista de brinquedos. 🙂 Costumo dizer que continuamos crianças, a diferença é que nossos brinquedos são mais caros e nos mesmos os compramos. Ele ia para Belfast, mas o aeroporto foi fechado pela neve. Apenas uma atendente no guichê.
Chega a minha vez. Mudo para a cara de poucos amigos e começo com um direto e agressivo discurso.
– Bom dia! Meu vôo foi ontem e por culpa da sua empresa não consegui chegar a Dublin. Não recebi nenhum tipo de assistência no aeroporto, nem hotel e a atendente marcou meu vôo para as 17h00. Não vai acontecer! Quero estar no primeiro vôo para Dublin! Preciso estar lá ainda pela manha!
Ia esquecendo, bati o bilhete no balcão quando entreguei e meu tom de voz grave ecoava pelo corredor. As palavras vieram tão rápido que nem tiveram tempo de passar pelo meu revisor de pronuncia mental. Pela expressão dela, a compreensão foi total. Agora já tinha sua atenção. Dela e de todos na fila. 🙂
Ela olha pra mim com aquela cara do Gato de Botas no primeiro filme do Shrek, quase chorando e diz:
– Não posso fazer nada senhor, todos os vôos estão lotados.
– Se você não pode fazer nada, chame seu supervisor ou alguém que possa.
Ela entra na sala e desaparece. Nesse momento, posso sentir os pensamentos dos passageiros na fila “Tínhamos uma atendente e graças a ele não temos mais nenhuma”. Procurei não olhar pra trás. Como se precisasse. 🙂
Um minuto depois, chega um senhor com meu passaporte na mão.
– Senhor Braga?
– Sim.
– Em nome da BMI, peco desculpas pelos transtornos causados em sua viagem.
Ele senta, digita alguma coisa, coça a cabeça e diz a frase que me desarmou:
– Janela ou corredor?
– Janela.
Ele imprime o bilhete, me entrega e me diz para me apressar.
Na minha cabeça, ouço aplausos e a platéia delirando.
Agradeço, me desculpo e vou embora. Vôo as 06h30min. São 05h50min. Hora de correr.
Passo novamente pelo amigo do e-book reader.
– Brasileiro – diz ele sorrindo. Ganhou no grito, hein?
– Literalmente – respondo correndo ao check-in para despachar a mala e seguir para o raio-x.
Hora de respirar. Repasso mentalmente meu roteiro. O endereço do O’Callaghan Alexander Hotel já esta no GPS e tenho um passe de 5 dias nos ônibus de Dublin. E chegar em Dublin, pegar o ônibus e seguir para o hotel. Chegando la, banho, barba e cama. Pelo menos por umas 4 horas.
Durmo durante todo o vôo e sou acordado pela aeromoça me pedindo para ajustar o assento para a posição de pouso. Sono revigorante. Pousamos finalmente em Dublin. Ainda é noite aqui e foram 45 minutos de vôo. Hora de nova imigração. Essa foi rápida. Um carimbo verde e vou atrás da mala. Pego dois ônibus, o 747 para o centro de Dublin e o 7 para a rua do meu hotel. Detalhe: os onibus tem aquecimento e sao extremamente confortaveis e pontuais (licao aprendida em Londres). Pronto. Entrego o voucher, preencho a papelada, ouço o recepcionista explicar sobre o café da manha, a academia o cartão e vou subindo. Pergunto a ele antes de subir se o hotel tem wi-fi e ele me responde que sim, mas são 16 euros por 24 horas. Ele me pergunta se quero e pego o cartão com username e senha.
[photopress:hotel.jpg,full,centered] Banho, desfazer a mala MSN, emails e cama. 6 horas do mais perfeito e absoluto sono.
Agora sim. O que dizer da Irlanda? Não sei, ainda não vi nada. Pelo que vi ao chegar aqui, conclui que se fosse irlandes, meu nome seria O’Braga. 🙂
São 16:45 e vou conhecer a cidade.

TO BE CONTINUED…

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Viagens

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