Jul 10, 2010
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Cuba: De volta para o passado

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É meio estranho falar de passado após escrever sobre futuro, mas falar de Cuba é entrar numa máquina do tempo. Revoluções, guerra fria, mísseis nucleares, invasões, crise econômica, regime comunista, Fidel. Durante muitos anos, Cuba ficou mais conhecida por estes fatos, ofuscando uma outra realidade, a maior ilha do Caribe é um dos melhores points de mergulho do mundo. E tudo isso está a minha espera a partir de domingo. O que esperar? Só o que li a respeito e o que vi pela Internet e fotos da operadora, além é claro de uma conversa com o amigo Rolando, um professor de Educação Física, colecionador de títulos no esporte, que deixou a ilha caribenha há alguns anos.
Descoberta por Cristóvão Colombo, no final do século XV, Cuba passou por um turbulento processo histórico, culminando na revolução liderada por Fidel Castro, a crise dos mísseis nucleares e a invasão da Baía dos Porcos nos anos sessenta. Nestas últimas décadas, ficou praticamente isolada do resto do mundo, ficando de fora do espetacular crescimento da indústria turística na região do Caribe.

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A União Soviética entrou em crise, parando de mandar ajuda financeira para o governo local e o embargo comercial estagnou a economia do país. O povo, que sempre teve um padrão de vida razoável, passou a enfrentar sérias dificuldades. Estes fatores fizeram com que as autoridades locais acordassem para a verdadeira vocação da ilha: o turismo.
Localizada a nordeste do Mar do Caribe, a apenas 145 km ao sul da Flórida, área total de 111 mil Km quadrados, clima tropical moderado, 289 praias banhadas por águas cristalinas e quentes, flora e fauna marinha exuberante, Cuba é realmente um lugar a ser visitado.
A população local, de cerca de 11 milhões de habitantes, é formada, em sua grande maioria, por mulatos e negros, sendo o espanhol a língua oficial. Pelo que me disse Rolando, elas não lembram em nada as atletas das equipes cubanas de volei feminino que tanto infernizaram a vida das brasileiras nas competições oficiais. 🙂
A infra-estrutura hoteleira ainda está engatinhando, mas alguns bons hotéis estão sendo construídos na região. Resta saber se o que eu escolhi está nessa lista. As fotos, pelo menos, são lindas… A vida noturna é relativamente agitada, mas está voltada, quase que exclusivamente, aos turistas estrangeiros. Habitantes locais não entram em muitos bares e restaurantes. Em termos de alimentação, come-se muito bem e muito mal em Cuba, se é que me entende.
Pelas dicas que recebi, o grande barato será passear pelo centro de Havana, onde parece que o tempo parou em algum momento da década de 50. As construções, de uma arquitetura muito peculiar, são quase todas daquela época, estando um tanto desgastadas pelo tempo. Os automóveis são um espetáculo à parte, carrões americanos da década de 50 ainda trafegam, ninguém sabe como, pelas ruas da capital, fazendo a loucura de colecionadores.

Já fiquei sabendo que enfrentarei problemas com energia elétrica, um bem escasso na ilha cubana graças à falta de investimento no setor em função do embargo econômico. Outra informação curiosa é que a pornografia é terminantemente proibida na ilha, mas a prostituição, não. Extra-oficialmente, é claro. Sabe como é, dólares são sempre bem vindos para “aquecer” a economia, o que não difere muito das praias nordestinas no Brasil. Tudo isso graças a divisão desigual do “bolo do desenvolvimento”, onde os donos dos hotéis ficam milionários e a população em voltas, sem instrução (no caso do Brasil) não tem muitas opções de sobrevivência. Mas isso é no Brasil. Recebi do consulado um folheto com orientações do que não levar para a ilha. Dá uma olhada. 🙂

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O embargo é uma verdadeira sacanagem com o povo de Cuba e é um passivo difícil de ser liquidado. Castigados primeiro pela ocupação direta dos Estados Unidos, amputando o seu território com a usurpação de Guantánamo, que perdura em suas costas como um câncer até hoje e submetidos ao bloqueio econômico, os cubanos sofrem com a falta de liberdade e com a escassez de produtos, que para nós são supérfluos, desde que perderam o apoio soviético. E foi esse apoio, aliado à posição de alguns governos latino-americanos da época, entre eles, de forma firme, o Brasil, que impediu Kennedy e seus sucessores de arrasarem o país e seu povo. Qualquer seja a opinião que tenhamos de seu regime e de seus dirigentes, é admirável sua resistência ao longo de quase meio século. 

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De qualquer forma é estranho que os Estados Unidos, que mantêm a prisão de Guantánamo, uma afronta aos princípios elementares de justiça; que confessadamente sequestram e torturam cidadãos estrangeiros; que invadiram o Iraque e patrocinaram a farsa do julgamento e a cinematográfica execução de Saddam Hussein, falem de respeito aos direitos humanos em Cuba – um dos motivos para a manutenção do embargo (que Obama renovou agora por mais um ano). Resta saber se Obama  está ou não decidido a respeitar a soberania de Cuba, nas negociações que se articulam, ou deseja simplesmente restaurar a democracia dos tempos de Batista, colocando no lugar dos Castro um novo vassalo. Mais uma vez começo com mergulho e termino com política. Não tem jeito.

Então, é isso. Estou embarcando agora para Cuba e só posso prometer muitas fotos e muitas histórias para contar aos amigos. Acabei de descobrir que tem uma praia de nudismo na ilha 😉  Ops. Fotos no Orkut se eu conseguir uma Internet que funcione.
Cuba: Ai vou eu!

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Mergulho · Viagens

Comments to Cuba: De volta para o passado

  • Pois é, Leni, acabei de ler seu artigo, e, sem duvida, ia acabar em política 🙂 hehehe Sobre vc colocar as fotos no orkut, acho q não é nem questão de ter internet ou não, mas já q vc descobriu uma praia de nudismo, ia ficar complicado, não acha? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk bjoss

    Lorrane Oliveira July 25, 2010 12:32 pm Reply

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