Dec 27, 2007
46 Views
0 0

Eugenia às avessas

Written by

Eugenia é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que a definiu como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. O tema é bastante controverso, particularmente após ter sido parte fundamental da ideologia de pureza racial nazista, a qual culminou no Holocausto.

Particularmente, acho essa idéia detestável, pois acredito que as diferenças aumentam a grandeza de uma nação. Deixando o Holocausto de lado, vi uma situação que, embora respeite, me deixou meio desconfortável. Junto comigo, no vôo da TAM de Guarulhos para Frankfurt, estava um grupo de judeus em algo que me parecia uma excursão. Todos adolescentes, na faixa dos 18/19 anos. Até aí, nenhum problema. Como ficamos juntos por 12 longas horas, que acabaram virando 15, uma vez que a porta do Airbus A340 deu um defeito, na verdade acendeu uma luzinha 🙂 e nos deixou em SP por 2 horas. Lembro que a última vez que essa luzinha acendeu, uma casa nas proximidades do aeroporto ganhou uma porta nova no telhado 🙂
Mas voltando aos atrasos, após o “problema” da porta ser consertado, uma das adolescentes passou mal, após “encher a cara”, “tomar todas”, etc, no freeshop, antes de embarcar. Uma hora depois ela chama o Raul, o Hugo e a turma toda e o piloto resolve decolar. Caso ela não melhorasse, sua bagagem seria retirada do avião e nos perderíamos mais 2 horas. Mas não era sobre isso que eu queria falar…
Após decolarmos, resolvi perguntar a uma delas do que se tratava o logotipo Estação K que decorava as camisetas de todos. Eram 30 homens e 30 mulheres, o que de certa forma chamou minha atenção. Ao conversar com ela algumas horas depois (o assento do meu lado estava vago, o que sempre acontece quando se viaja sozinho para fora do país…), ela aos poucos foi falando mais sobre o tal “programa”.
Inicialmente, ela havia me dito que era um programa de valorização da cultura de Israel (havia um rabino entre eles) e que eles visitariam vários lugares em Israel (Frankfurt era apenas uma escala), sinagogas e outros lugares históricos. Até aí, era um tipo de programa de valorização cultural e de turismo. Após ela me perguntar sobre o livro que eu estava lendo e sobre como era Brasília, algumas horas depois, perguntei o porquê do número 30, especificamente. No início, meio constrangida, ela disse que era em virtude das acomodações em que se hospedariam. Mas, no meio da conversa, ela disse que não era bem isso. Após perguntar sobre o estado de sua amiga ébria, ela me falou qual seria o real propósito da viagem. Os pais, ou patrocinadores, tinham interesse em que os jovens se conhececem melhor e que começassem a namorar entre si. Metafóricamente, eu diria que seria como misturar 75% de Nitrato de Sódio, 15% de carvão e 10% de enxofre e depois jogar um palito de fósforo aceso pra ver o que acontece. Já começou no FreeShop do aeroporto, com eles bebendo e nem quero imaginar como terminou.
Como pai, que ainda não sou, eu acharia essa idéia, no mínimo, preocupante. Deixar minha filha com 30 adolescentes com hormônios à flor da pele, por quase trinta dias em um outro país. Pra se conhecerem melhor? Fala sério… Tudo isso para que ela namore e case com outro judeu, cujos pais tem condições de patrocinar tal viagem. Pra mim, o nome disso é discriminação. Garantir a cultura e as tradições são uma coisa, entretanto mandar 60 jovens para Israel, mesmo com os programas culturais, com o objetivo declarado de “namorar” e manter as tradições é, no mínimo, curioso.

Mas sempre me lembro que, em se tratando de time de futebol, política e religião a gente não deve tentar entender, apenas respeitar 🙂

Article Tags:
Article Categories:
Viagens

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *