Aug 8, 2010
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Memórias de Cuba

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E aqui estou eu. Finalmente, em Havana. No avião, o piloto da Copa Airlines já fornecia boletins sobre o andamento de Espanha x Holanda. Minhas primeiras impressões. Sabe aquele papo todo de não pode trazer isso, não pode trazer aquilo? Papo furado. Traga o que quiser, eles não estão nem ai. O aeroporto é o mais desorganizado no qual já estive. E olha que conheço um pouquinho de aeroportos. Indicação nas esteiras é só pra diversão, as malas podem ser colocadas em qualquer uma. Eu esperando, junto com uma espanhola desesperada, há meia hora pelas malas e… Pegadinha do malandro! A mala estava na esteira do vôo de Madri. Abrir as malas na Alfândega? Talvez em outra vida. Só pressão do Estado Cubano. Turistas = Dinheiro. Preciso dizer mais alguma coisa? 🙂

Outra frustração ocorreu no caminho para o hotel. Esperava ver aqueles carros clássicos norte-americanos da década de 60 e os vi, só que em uma quantidade infinitamente menor do que eu esperava. Os carros mais comuns nas ruas de Havana são os russos Lada, que pegaram alguns trouxas no Brasil, na época do Collor. Peças de Lada? Só na Rússia. Temos tudo por aqui, de todo o mundo, o problema é o preço. Existem duas moedas: o peso cubano e o CUC, ou peso cubano convertido, é uma das moedas do país e embora para nós, turistas, ele não seja tão caro, para os cubanos tudo que não é fornecido pelo Estado é quase intangível.

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O Hotel Nacional de Havana é muito confortável e apesar do padrão 5 estrelas, ele é bem clássico e nos remete a uma viagem no tempo. Elevadores com indicadores com aquelas setas de bronze nos remetem à década de 60. Mas tudo funciona. E pela primeira vez (vale a pena destacar) não pude sacanear a TIM com o slogan “Viver sem Fronteiras”. Normalmente, quando você cruza alguma, ele pára de funcionar, mas, inexplicavelmente, isso não ocorreu aqui em Cuba. Internet é outra história. Subi, tomei um banho rápido e desci, para uma volta pela cidade. Apesar do joelho detonado, andei cerca de 10 km, indo do Hotel Nacional ao farol na outra extremidade da praia. Eu disse praia? As praias nessa região são cheias de pedras, impróprias para o banho, pois essa parte do litoral é escarpada e protegida por um quebra-mar. E é no quebra-mar que está o perigo. Andando pelo quebra-mar, percebi que basta um contato visual de mais de 3 segundos para que uma cubana venha em sua direção para uma “conversa”. Se não tiver problemas éticos com isso, divirta-se.

Voltando ao passeio pela cidade, pude perceber que, em termos de saneamento básico, Havana me lembrou algumas cidades do nordeste brasileiro. Esgoto correndo a céu aberto, ruas sem iluminação e museus e construções antigas ocupadas por cubanos. E os mosquitos? São verdadeiros guerrilheiros. Eles te atacam uma vez e se der mole, de novo e de novo, enquanto você tiver sangue. Ao contrário dos pernilongos, o povo cubano é receptivo, alegre e adora brasileiros. Pude perceber isso enquanto assistia ao show para os turistas no Hotel Nacional. Em uma parte do espetáculo, as dançarinas e dançarinos tiram as pessoas para dançar salsa e, como estava numa mesa de brasileiros (os conheci no ônibus), fui a bola da vez. Por incrível que pareça, meu joelho não doeu de novo. 🙂 (Só doeu quando fui dormir). Eu preciso de umas aulas, sou muito ruim. Posso dizer que, como dançarino de salsa, sou um ótimo mergulhador, ou buceador, como dizem por aqui. Não confunda. 🙂

Após uma noite de sono restaurador, estou de volta ao aeroporto às 6 da manhã, só que dessa vez num turboélice russo Antonov AN-26 com destino ao Hotel Sol Cayo Largo, na Isla De La Juventud. O lugar é surpreendente. Funciona como All Inclusive, ou seja, todas as refeições já estão incluídas no pacote, 24h por dia. Piscinas perfeitas e uma praia privada que deixaria as praias de Bonaire a ver navios. Um paraíso. Serviço impecável. À noite, um espetáculo de dança típica cubana. Adivinhou? Isso mesmo. Mas, desta vez, fiquei nas fileiras de trás para poder filmar e não correr o risco de pagar mais mico, embora os europeus sejam exponencialmente piores. E põe pior nisso. Sinto vergonha por eles.

Agora vamos ao mergulho. Me identifiquei ao chegar a operadora de mergulho em um ônibus de uma montadora chinesa (Viva a globalização!) dirigido por um motorista que, se não estava bêbado, era maluco. Ele tinha um microfone e imitava sons enquanto dirigia. Isso mesmo, enquanto dirigia. Mas o pior foi ele tentar tocar marimba enquanto chegávamos à operadora de mergulho. Entramos no barco e todos os mergulhadores eram casados e estavam acompanhados de suas respectivas esposas. Momento deprê. Tive que mergulhar com o instrutor como dupla, que logo me rejeitou ao perceber que era avançado. Foi mais ou menos um “Se precisar de alguma coisa, avisa”. A propósito, estou tendo um curso intensivo de espanhol. Inglês aqui? Sem chance. Mas estou me virando bem. Sempre me viro. A volta foi cômica. Ele, o motorista, esqueceu a porta lateral do bagageiro aberta. Não pude deixar de avisá-lo e ao saber do fato, o cara de pau me pediu pra descer e fechar. O cara não tem noção. E continuou com as imitações. O pior é que é o único ônibus e o único motorista que faz a linha hotel-centro de mergulho. Não seria sensato sacaneá-lo. 🙂

Agora falemos do mergulho. Eu não teria palavras pra descrever o que vi. Mais diversidade de fauna que em Bonaire, embora ambas estejam no Mar do Caribe. As fotos confirmam isso. Fora os peixes conhecidos, me deparei com uma moréia verde lindíssima, barracudas dóceis e, acreditem, 3 Lionfish’s. Esses peixinhos são o novo desastre natural da região que, até ano passado, não os tinha. Não nessa quantidade. A população deles vem crescendo assustadoramente em virtude de seu predador natural não existir por aqui em número suficiente. Este lindo e letal peixinho, conhecido no Brasil como peixe-escorpião, possui inúmeras barbatanas em um tom de cinza e branco. Lindo e mortal. Suas barbatanas possuem pequenos espinhos que contêm uma neurotoxina do tipo “Tocou? Paralisou”. Simples assim. E paralisia a 30 metros de profundidade é fatal. Encerro o dia de aventuras com este artigo, esperando pelo que me reserva a noite de hoje. Todos os dias têm um espetáculo diferente e a cada dia, os lugares de mergulho são diferentes. Mal posso esperar pelos de amanhã. Não tem como enjoar.

De volta ao hotel. Bastou dar 5 CUC’s de gorjeta para Conchita, a camareira, e ganhei uma fã. Hoje, após voltar do mergulho, o frigobar estava abastecido com todos os itens que deixei anotados num papel. Eu não poderia morar aqui. Ia virar uma baleia e ficar exposto no Sea World. :). Estou fora de forma e com o problema do joelho, ganhei 5 quilos. Estava me sentindo mal até ver o público do hotel. Só tem gordinho. Minha auto-estima voltou aos níveis normais. Me sinto sarado. 🙂

Termino por aqui com o casal brasileiro na mesa ao lado promovendo um DR, como se ninguém entendesse nada. O primeiro casal brasileiro que encontro na ilha inteira. 🙂 Ops, eu sou brasileiro e eles não sabem, e o clima está esquentando. Hum… Ele é casado e ela não é sua esposa. Que feio. Safadinho. Mas Cuba? Não tinha um lugar mais perto, não? Vou desligar o notebook antes que voe alguma coisa pra minha mesa. Parece que ele disse que ia se separar e não o fez. Será que ela também acredita em coelhinho da Páscoa, Papai Noel e Saci Pererê? Fala sério. Ainda tem mulher que cai nesse conto de fadas… Ela tá chateada porque ele atendeu a ligação da mulher. Abusada. Outro cliente TIM. Fico por aqui. E deixa de ser intromedido(a), pois não vou contar mais nada. Tá bom, ele disse que vai se separar quando chegar ao Brasil. E ela acreditou! Fizeram as pazes. 🙂 🙂 Acho que vou oferecer um pouco de grama pra ela. Ops, me sacaram. Deve ser essa discreta camiseta amarela com um enorme BRASIL escrito. 🙂 Fui.

Os dias seguintes foram incríveis, mas não pude descrevê-los em tempo real, pois tinha coisa melhor pra fazer 😉 e, se o fizesse, este artigo teria 20 páginas. Vou encerrar com minhas dicas de Cuba e minhas considerações sobre o embargo. Primeiro, o embargo. Pude sentir os efeitos do embargo na pele. Primeiro, nenhum dos meus cartões de crédito funcionou aqui, pois os bancos estavam na lista de embargos. Em Cayo Largo, no último mergulho, recebi uma pancada na costela de um cilindro de um mergulhador vizinho e, ao voltar à Havana, senti uma dor à noite, o que me levou ao Hospital. Anti-inflamatórios? Apenas um disponível em virtude do embargo. O embargo é uma palhaçada sem sentido e Obama não está fazendo nada para mudar isso. Tudo que chega à Cuba é comprado por terceiros, colocado num navio e enviado, o que gera problemas de garantia, dentre outros, pois quem vende para Cuba não vende para os EUA. Hoje, após conversar com cubanos e visitar o Museu da Revolução, entendo o porquê de Fidel Castro ser um herói para os cubanos. Comecei a ler um livro (Entrevista com Fidel) e assim que terminá-lo escrevo um artigo especificamente sobre o que vi naquela ilha.

Agora as dicas. A primeira é quanto à moeda. O CUC, ou peso cubano convertido é uma moeda para turismo e apenas ela é aceita. Você pode trocar euros e dólares nos hotéis, mas o euro é o que oferece a melhor taxa. Não tente usar cartões de crédito: eles não funcionam. Quanto àquele seguro-viagem que sempre temos que contratar, procure um que tenha convênio com clínicas cubanas (ligue antes), pois provavelmente só funcionará como reembolso. Telefone em roaming internacional? Só em emergências, caso contrário, vai gastar uma fortuna em ligações. São cerca de U$5 o minuto 🙂 Quadros e charutos apenas em lojas autorizadas, pois precisam de um selo para sair do país. Um lugar incrível que conheci é um restaurante chamado El Guajirito. A comida é incrível e as garçonetes são lindas. Lindas não, perfeitas. Quando fui, estava namorando e apaixonado. Naquele momento era o que eu estava sentindo. Assim, não rolou nem uma cantada. Juro ;). Se me arrependo? Nem um pouco.

Enfim, Cuba é um país incrível e eu recomendo que você conheça. Excelente para mergulhos e perfeito para uma lua de mel. 🙂 Não deixe de conhecer e vamos torcer juntos pelo fim do embargo.

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Viagens

Comments to Memórias de Cuba

  • Braga, como cubano vejo muito bonito teu viajem. Mergulhos e comidas em El Guajiro. Porem um cubano de cuba nao pode fazer isso. Ficou sabendo?

    O embargo impide negociar com empresas dos EUA. So isso.

    Vou te explicar o porque do embargo. Quando o ditador Castro chegou ao poder, ele fez o que todo ditador comunista faz, expropriar as empresas privadas e entre elas as de empresarios dos EUA, Espanha, England, Canada etc. So que ele deu uma indemnizacao a todos esses empresarios…exepto aos dos EUA, em franca provocacao. Entao os EUA diante da negativa de Castro de indemnizar a seus cidadaos impus o embargo.
    O mesmo que pasaria com vc se deixase de pagar a um Banco ou uma loja. Vc nao compraria ate pagar o que deve.
    Acontece que a propaganda da ditadura faz uma outra versao para os que nao sabem.
    Eu moro no Brasil, faz 15 anos e nunca mais voltei a cuba, nao conseguiria poder disfrutar das coisas que meus parentes e amigos nao tem oportunidades.
    Castro eh um assesino, ditador, a pior coisa que cuba ja pasou. Nem Batista, nem Machado, ninguem afundou cuba como este animal.

    Cubano August 20, 2010 9:52 pm Reply

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