Aug 24, 2007
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Mensalão: A história de Lulalá e os 40 ladrões

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[photopress:charge_grd_611.jpg,full,centered] Lula sempre teve uma queda por histórias antigas, pois sempre as usava em seus discursos inflamados enquanto no Sindicato dos Metalurgicos e enquanto candidato de proveta do PT, guardado no nitrogênio líquido por 12 longos (mas não tão longos quanto eu gostaria) anos. Essas histórias facilitam o entendimento da “classe operária”, ou “minha gente” ou ainda “companheiros” (entenda-se pessoas sem estudo fáceis de serem convencidas e manipuladas). Tema que até rendeu uma música dos Paralamas do Sucesso sobre o discurso de Lula sobre “uns 300 picaretas com anel de doutor”, justificando sua aversão ao estudo, desnecessário em sua opinião, e acusando a maioria do congresso de picaretagem.
Picaretagem pop. – ação do picareta.
Picareta pop. – pessoa que utiliza qualquer expediente para obter os fins ou vantagens desejados.
Logo após ter chegado à Presidência da República, tratou logo de encontrar seus pares, a quem se refere agora como congressistas inocentes até que se prove o contrário. E esta semana o épico “Lulalá e os 40 ladrões” deve mais um capítulo, após 3 anos.
Após os primeiros três dias de julgamento, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já acataram denúncias contra 19 dos 40 ladrões, digo acusados, feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no esquema do mensalão. Aliás, todas as pessoas citadas no relatório do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, serão processadas criminalmente na suprema corte brasileira por pelo menos um motivo.
Foram acatadas denúncias contra o empresário Marcos Valério, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o ex-secretário de Comunicação do governo, Luiz Gushiken (PT-SP), a presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, os diretores do mesmo banco José Roberto Salgado, Vinicius Samarane e Ayana Tenório Torres de Jesus, além do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, e dos sócios de Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Rogério Tolentino. A ex-diretora da SMP&B Simone Vasconcelos e a ex-funcionária do publicitário Geiza Dias dos Santos também tiveram a denúncia aceita.
Estes são os crimes e suas respectivas penas:

Formação de quadrilha
Pena: de um a três anos de prisão
Falsidade ideológica
Pena: de um a cinco anos de prisão e multa em caso de documentos públicos; de um a três anos de prisão e multa em caso de documentos particulares
Peculato
Pena: de dois a 12 anos de prisão e multa
Corrupção ativa
Pena: de um a oito anos de prisão e multa
Corrupção passiva
Pena: de um a oito anos de prisão e multa
Lavagem de dinheiro
Pena: de três a dez anos de prisão e multa
Gestão fraudulenta
Pena: de três a 12 anos de prisão e multa
Evasão de divisas
Pena: de dois a seis anos de prisão e multa

Dos 40 ladrões, apenas 19 tiveram a denúncia aceita pelo STF. Dos 19, 14 são ex e atuais “figurinhas conhecidas” na Câmara dos Deputados, bem como seus publicitários. São eles:

Delúbio Soares (PT-SP) – ex-tesoureiro do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
É acusado de criar e executar o esquema de financiamento ilegal do PT e de partidos aliados com a participação do publicitário Marcos Valério, fonte do financiamento. Delúbio assumiu a responsabilidade pelo esquema e eximiu de culpa o partido e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Após o escândalo, se afastou do cargo.

Duda Mendonça – publicitário
Denunciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Publicitário responsável pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, teria recebido, por meio de sua sócia, Zilmar da Silveira, R$ 15,5 milhões das contas de Marcos Valério.

João Magno (PT-MG) – deputado federal
Denunciado por lavagem de dinheiro
Afirmou ter recebido dinheiro de Marcos Valério atendendo orientação de Delúblio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Foi absolvido pela Comissão de Ética da Câmara.

Paulo Cunha (PT-SP) – ex-presidente da Câmara
Denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
Documentos cedidos pelo Banco Rural mostram que a mulher do deputado sacou R$ 50 mil das contas de Marcos Valério. Cunha é acusado de obter vantagem indevida no exercício da atividade parlamentar, por ter recebido “em proveito próprio” R$ 50 mil da agência de publicidade SMPB, do empresário Marcos Valério, apontado como o operador do esquema do mensalão. Cunha afirma que o saque foi feito a mando de Delúbio Soares e que acreditava que o dinheiro pertencesse ao PT. O deputado paulista foi absolvido pelo plenário da Casa, que impediu a sua cassação. Foi reeleito em 2006.

José Dirceu (PT-SP) – ex-ministro da Casa Civil
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Acusado pelo ex-deputado petebista Roberto Jefferson de ser o mentor do mensalão. Ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu se afastou do cargo um mês depois das denúncias de Jefferson e reassumiu a sua cadeira na Câmara dos Deputados. Quando deixou o governo, disse que queria se concentrar na sua defesa. Foi um dos poucos condenados pela Comissão de Ética da Câmara e teve os seus direitos políticos suspensos até 2015. A denúncia do Ministério Público aponta Dirceu como um dos principais membros do esquema.

José Genoino (PT-SP) – ex-presidente do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
O deputado federal e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores foi denunciado por utilizar Marcos Valério como fiador de empréstimos do partido no Banco Rural, BMG e Banco do Brasil. Genoino renunciou à presidência do partido. Também é suspeito no caso dos dólares apreendidos na cueca do assessor do deputado estadual cearense José Guimarães, seu irmão. Se afastou do cargo após o escândalo e se se elegeu deputado federal em 2006.

José Janene (PP-PR) – deputado federal
Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Foi acusado por Roberto Jefferson de distribuir o dinheiro oriundo do mensalão para a bancada de seu partido. João Cláudio Genu, seu assessor, informou à Polícia Federal que sacava o dinheiro e o entregava à tesouraria do partido. Absolvido pela Comissão de Ética da Câmara, não disputou a reeleição.

Luiz Gushiken (PT-SP) – ex-secretário de Comunicação do governo federal
Denuciado por peculato
Gushiken é acusado de indicar dirigentes para para os fundos de pensão e de favorecimento de uma corretora de seus ex-sócios ligados à área. Deixou o governo no final de 2006.

Marcos Valério de Souza – publicitário
Denunciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
O publicitário é acusado de ser o operador do mensalão e de crimes contra a ordem política, financeira, eleitoral, criminal e fiscal. Além do envolvimento com o mensalão, é acusado de manter esquema semelhante em 1998 com o PSDB. Por meio de empréstimos bancários avalizados pelos contratos de publicidade com o governo, teria financiado a candidatura de políticos tucanos na época. O empresário foi acusado por Jefferson de ser o operador do mensalão. Valério negou envolvimento no esquema, mas assumiu que fez empréstimos ao PT a pedido de Delúbio.

Pedro Henry (PP-MT) – deputado federal
Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O deputado é acusado de receber R$ 700 mil por parte do PP. Foi absolvido da acusação de envolvimento no mensalão em votação na Câmara dos Deputados. Foi reeleito em 2006.

Professor Luizinho (PT-SP) – ex-deputado federal
Denunciado por lavagem de dinheiro
Teve um assessor que recebeu R$ 20 mil das contas de Marcos Valério. Como defesa, alegou que o dinheiro foi usado no caixa dois em campanhas para a eleição de vereadores do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Absolvido pela Comissão de Ética da Câmara, não foi reeleito em 2006.

Roberto Jefferson (PTB-RJ) – deputado federal
Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O deputado federal foi o estopim da crise. Jefferson denunciou o esquema do mensalão após ver seu nome e seu partido – o PTB – envolvidos na gravação em que o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina. Teve o mandato cassado.

Silvio Pereira – ex-secretário-geral do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
O ex-secretário-geral do PT é acusado de intermediar a negociação de cargos e contratos no governo Lula. Silvio Pereira negou a acusação, mas assumiu que ganhou um carro da marca Land Rover do proprietário da empresa GDK – vencedora de uma licitação de US$ 90 milhões junto a Petrobras.

Costa Neto (PR-SP, ex-PL) – deputado federal Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Ex-presidente do PL (atual PR), renunciou ao mandato de deputado federal no dia 1º de agosto de 2005, depois de ter o nome envolvido no escândalo do mensalão. Ao renunciar ao cargo, evitou possível cassação do mandato e a conseqüente perda de seus direitos políticos, abrindo caminho para a candidatura nas eleições de 2006, quando se reelegeu.

Agora só nos resta esperar por uma decisão favorável à sociedade brasileira, que seria a condenação de todos, embora a perda de minha inocência política me impeça de acreditar que aqueles que conseguiram a reeleição, e que agora tem foro privilegiado, venham a ser punidos. Mas somos brasileiros e temos que continuar a acreditar no sistema e nunca desistir de exigir JUSTIÇA.
[photopress:charge_grd_610.jpg,full,centered]

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A Política

Comments to Mensalão: A história de Lulalá e os 40 ladrões

  • vc esta de parabéns

    jose baltazar donadeli July 2, 2013 7:17 pm Reply

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