Oct 4, 2015
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Os “sírios” do Brasil

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Os “sírios” do Brasil

As crianças brasileiras que naufragaram na viagem para o futuro

Li este artigo na página de uma grande amiga, Márcia, e não pude deixar de expressar meu sentimento de indignação. Na verdade, os sentimentos são muitos e misturados. Um misto de raiva, desprezo, pena, impotência, dentre outros. Sei que muitos dos que estão lendo este artigo agora ficaram chocados com a imagem a seguir. Eu, que sou pai, confesso que por muito tempo não conseguia olhar para ela. Esta é a foto de uma criança síria (acredito que todos já sabiam) que morreu afogado quando a família tentava fugir dos horrores da guerra na Síria e do regime de Assad. Sei que, para nós brasileiros, esta história triste não está no ranking das maiores preocupações. Até porque, poucos saberiam onde está situada a Síria… E não há nenhum problema nisto, uma vez que a situação atual na Síria – a guerra – está bem longe de nossa realidade. Contudo, esta foto chocou o mundo e com certeza chocou VOCÊ!

A foto que quero compartilhar com você deveria chocar mais do que a foto acima, pois também representa uma morte. A morte em questão não se refere a uma criança, mas ao futuro de muitas delas. Enquanto a Síria tem o regime de Bashar Al Assad, o ditador sanguinário que faz qualquer coisa para se manter no poder, nós temos Lula, Dilma e o PT. Sei que você pode estar pensando “Agora, ele está exagerando”, mas pretendo mostrar a você que, de fato, não estou.

A diferença entre Assad e Lula está na forma de agir. Enquanto o primeiro não esconde suas intenções da opinião pública e vê mais da metade de sua país simplesmente fugir dos horrores da guerra civil e do Estado Islâmico, o segundo age de uma forma mais silenciosa. A CORRUPÇÃO institucionalizada pelo PT mata mais que a guerra na Síria, mas não de uma forma tão evidente e chocante. A corrupção mata quando priva as pessoas mais humildes da Saúde, mata quando as submete à violência urbana, mata quando altera suas vidas, privando-as de seu agente mais modificador mais valioso – a Educação.

Aquele que poderia ser um futuro brilhante se transformou em mais um clichê, um estereotipo do que é a vida de um cidadão do sertão do Brasil. Estamos falando em 10 anos de corrupção, incompetência, negligência e ingerência. Estamos falando apenas de um grupo de crianças, o que representa uma pequena fração do que aconteceu no Brasil neste 13 anos de azar. A foto a seguir foi tirada em 11 de fevereiro de 2005 com o então presidente Luís Inácio da Silva ao lado da cidade de Toritama, no agreste pernambucano – seu estado natal. Tendo sido privado da educação formal (fato do qual se orgulha), junto com seu partido (ou quadrilha), Lula foi o responsável pelo que Cristovam Buarque (senador pelo DF) descreve em seu artigo a seguir. Esta história representa a realidade brasileira na última década e está muito distante da propaganda do PT, que brada aos quatro ventos ter tirado a população da miséria.

Esta foto representa o que o PT fez e continua fazendo desde que instituiu a CLEPTOCRACIA no Brasil.

Lula em Caruaru 2005

Lula em Caruaru 2005

No dia 11/2/2005, o helicóptero do presidente Lula desceu na comunidade de Canaã, no agreste pernambucano, ao lado da cidade de Toritama; o presidente caminhou até um grupo de crianças e agachou-se em frente a elas. Um fotógrafo captou a cena, e a foto foi publicada nos jornais. Ao vê-la, decidi visitar as crianças e, com base no que observei, escrevi uma carta ao presidente, sob o título “Estas crianças têm nome — como dar-lhes um futuro?”.

Descrevi a realidade onde elas viviam, especialmente a escola onde estudavam, reconheci que o presidente ainda não era o culpado daquele triste cenário de penúria educacional e pobreza social, mas que seria o responsável se, dez anos depois, o quadro se mantivesse; na carta sugeri dez medidas para mudar aquela realidade, seguindo as linhas do projeto que tentei executar ao longo de 2003, quando fui ministro da Educação.
Na semana passada voltei ao local e vi a tragédia resultante de dez anos de abandono da educação e falta de políticas públicas consistentes para a emancipação dos pobres.
A menina — na foto está bem em frente ao presidente — de nome Taciana, então com 6 anos, deixou a escola aos 14, engravidou aos 15 e aos 16 tem um filho com 1 ano e dois meses, chamado Angelo Miguel. Seu irmão, conhecido como Cambiteiro, estava no grupo, mas não quis aparecer na foto. Fora da escola antes dos 15 anos, tornou-se vigilante informal nas pobres ruas de Canaã, até ser assassinado.
O menino chamado Rubinho, então com 7 anos, para quem o presidente Lula parecia olhar, deixou a escola antes da quinta série e, aos 17, tem um filho de nome Natan Rafael. Seu irmão Diego, que não aparece na foto por ser então muito pequeno, hoje com 15 anos, já esteve preso; na cadeia foi jurado de morte pelos presos, esfaqueado, fugiu do hospital e desapareceu. Jailson, o que ri para o presidente, e Josivan, na ponta direita da foto, deixaram a escola antes de terminar a quarta série. Jaques, então com 9 anos, deixou a escola com 13; o menino conhecido como Nego, então com 8 anos, não estudou e tem hoje dois filhos.
Nesses dez anos, a vida daquelas crianças tornou-se uma monótona repetição de fatos e fracassos: todas deixaram a escola antes de concluir o ensino fundamental, fazem parte do exército de analfabetos funcionais que ocupa o país; todas foram trabalhar ao redor dos 15 anos, em trabalhos informais sem qualificação; tiveram filhos ainda na adolescência; nenhuma teve o futuro a que tinha direito ao nascer.
Toritama é um Mediterrâneo onde aquelas crianças naufragaram na viagem para o futuro, diante dos olhos do presidente Lula e de todos nós.
Dez anos depois carreguei nos braços Angelo Miguel, filho da Taciana, e me veio o triste sentimento de ver nele a repetição do mesmo histórico círculo vicioso que gira passando de pais para filhos, sem mudar o rumo do destino. E seria tão fácil, se garantíssemos escola com qualidade para todos de uma geração, como aquela de Canaã, dez anos atrás. Sem isto, agora é a vez de Angelo.

Cristovam Buarque

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Educação

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