Nov 4, 2010
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Primeiro "SIV" no DF

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Está sendo realizado, pela primeira vez em Brasília, um curso SIV – Simulação de Incidentes em Vôo de Parapente, no Lago Paranoá que, na verdade, é um Curso de Pilotagem e Segurança, pois visa ambientar os pilotos às condições de vôo encontradas em Brasília e promover sua familiarização com o equipamento. O curso, organizado pelo Jorge Eduardo, da Fly Safe – Escola de Parapente, trouxe como instrutor ninguém menos que Kurt Stoeterau – uma lenda no parapente e o guru dos que levam o esporte a sério. Kurt Stoeterau é dos mais experientes e renomados pilotos e instrutores de vôo livre da atualidade. É autor do livro Voando com Ciência Voando com Consciência, que já está na sua segunda edição, bem como do Manual do Parapente Obediente. Como autor e instrutor é reverenciado, tanto no Brasil como no exterior. Já li os dois e posso garantir que sua abordagem científica nos faz entender perfeitamente seu comportamento.
Livros do Kurt
Um exemplo do que seu conhecimento e experiências fizeram pelo parapente, foi quando Kurt Stoeterau, aproveitando o vôo sobre um lago, criou uma situação de vôo com apenas um dos tirantes, tudo para ver como o parapente voaria caso houvesse a quebra de um dos mosquetões. Primeiramente, ele desconectou o tirante direito do mosquetão e continuou segurando-o, voando com ele na mão. Lentamente foi levantando o tirante para ver como o parapente se comportaria. Este iniciou uma suave curva para a esquerda. Isso mesmo, o parapente fez uma curva suave para o lado conectado. Pensou que talvez estivesse me apoiando (deslocando o peso do corpo para o lado bom), então se apoiou mais no tirante solto. Ainda assim, o parapente continuava a curva para esquerda (o tirante solto estava cerca de dois palmos mais alto do que o mosquetão). Quando ele retornava o tirante para a altura do mosquetão a curva parava. Depois que soltou de vez o tirante, o parapente continuou voando normalmente, acelerou sensivelmente (foi para uns 50km/h) até que iniciou uma curva cada vez mais fechada para o lado bom. O outro lado virou um monte de pano a se debater como um lençol no varal ao sabor de um vento forte. Este pequeno experimento derrubou uma tese, já aceita como regra, de que o parapente faria uma curva para o lado desconectado.

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O curso SIV permite ao piloto conhecer melhor seu parapente através do estudo de suas reações passivas, aprender a agir corretamente quando algo errado acontece, como um colapso, negativa, espiral, dentre outros e, por meio de vários exercícios, aprender como funciona o pêndulo, que é a base do vôo de parapente, além de aprender a antecipar problemas por meio do aprimoramento de técnicas de pilotagem.

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No curso, para ganhar altitude, que deve se aproximar de 400 metros, o piloto é puxado por um barco, que é conectado a selete por um conjunto de fitas com um sistema de acoplamento/desacoplamento desenvolvido pelo Kurt, como mostra a imagem abaixo.

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Aqui está o Luciano, meu instrutor, preparando para ser o “biruta” do dia. Explico, o “biruta” é o primeiro a decolar e os demais o imitam. Nesse caso, o primeiro a fazer a decolagem rebocada.

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A lancha possui um guincho que vai aos poucos liberando o cabo e fazendo com que o piloto ganhe altura à medida que desenvolve velocidade no Lago. Após atingir a altitude para a execução das manobras, o piloto puxa uma linha que desacopla o parapente e libera o cabo, que passa a ser recolhido pela lancha, com o auxílio de uma pequena pipa, presa entre o cabo e o piloto.

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A equipe de resgate conta com uma lancha do Corpo de Bombeiros do DF, que conta com uma equipe de bombeiros/mergulhadores que fornece a segurança necessária para a realização do curso.

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As técnicas para este tipo de vôo são bem diferentes do vôo normal do parapente, quer seja lift ou termal. O piloto deve usar o freio apenas para corrigir a direção e nunca na decolagem, sob o risco de sofrer um acidente.

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O curso é composto de diversas situações que, quando ocorrem inesperadamente em vôo, podem ser fatais. No curso, estas situações são feitas intencionalmente sobre o Lago Paranoá, após uma explicação completa da situação, o porquê da mesma ocorrer e o mais importante: como sair dela com segurança, tudo feito ainda em solo. Após o “briefing”, o piloto é colocado a cerca de 400 metros, rebocado por uma lancha. Ele se desconecta e o cabo é recolhido pela lancha. As manobras são:

  • Colapsos
  • B estol
  • Espiral positiva
  • Vôo em meia vela
  • Pêndulo frontal
  • Wingovers
  • Espirais em seus variados ângulos
  • Negativas
  • Full stall
  • Parachutagem
  • Fly back
  • Lançamento de Reserva
  • O vídeo a seguir registra os pousos e decolagens, bem como algumas manobras realizadas pelos pilotos inscritos no curso. Não pude fazê-lo por recomendação do meu instrutor, mas estarei presente na edição 2011 como piloto, após ter adquirido mais experiencia voando muito nas férias de fim de ano em Fortaleza.





    Nos dias 2, 3 e 4 de novembro, participei do curso de Cross Country, ou Vôo em Distância, desta vez como aluno, também com Kurt Stoeterau, que abordou assuntos como meteorologia, técnicas de permanência em térmicas e muitas dicas de alguém que sabe muito e que já passou por inúmeras situações em vôo. Afinal, segundo ele, são 25 anos de vôo livre. Aproveitei a oportunidade para, como fã, ter autografados meus dois livros. Normalmente, ao conhecer nossos ídolos, a admiração diminui, mas não foi este o caso.


    O Kurt me impressionou com o profissionalismo e com a humildade ao conversar sobre as manobras, tomar chuva, andar descalço pela área de treinamento, dar dicas de compra de velame e ao contar um pouco sobre sua mudança do Direito para o mundo do vôo livre. Parecia mesmo um guru. Realmente, o vôo livre não é um esporte, é um estilo de vida!

    Enfim, mais uma vez agradeço ao Jorge Eduardo, da FlySafe, pela iniciativa inédita e organização deste curso que, como certeza, para nós pilotos, representou um marco do vôo livre no Distrito Federal.

    Article Categories:
    Parapente

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