Aug 10, 2013
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Ser pai…

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É isso. No Dia dos Pais, aproveite para valorizar o seu, se ainda o tiver por perto. Se não, aproveite para lembrar dos bons momentos (ele estará olhando por você onde estiver) e agradecer. Não pela metade da carga genética mas, acima de tudo, pelos valores, pelo caráter e pela educação. Coisas com as quais não se nasce, são aprendidas e, quando ensinadas, mudam a sua vida. Você é fruto disso. Saiba valorizar! Faça com que ele sinta orgulho de você! É o maior presente que você pode dar!

Feliz Dia dos Pais a todos!

Estou de volta. Aproveitei o dia dos pais para voltar a postar meus elogios e críticas e tirar um pouco da teia de aranha do blog, que atingiu a cifra de 1 milhão de acessos há uns meses atrás. Novo layout, nova diagramação e um novo eu. Explico. Um Lenilton mais relaxado, com 0% de stress, que dorme ouvindo o barulho do mar e acorda com um novo por-do-Sol, não em um tom alaranjado como o que vi durante toda a minha vida, mas outro, lindamente diferente. Mudanças planejadas, mudanças de última hora. Tudo na vida é mutável. Diferente de planos iniciais que havia feito com minha esposa, escolhemos deixar a vida no velho mundo por essa, no mundo quente – o Ceará. Um mês foi o suficiente para enxergar que viver na Europa não seria a atitude mais inteligente. Afinal, eles estão vindo para cá aos montes e vários amigos nossos que estavam na Europa nos alertaram que não seria uma decisão inteligente. Afinal, a recessão lá parece não ter fim. Mudamos os planos, a vida, e o que eu podia estar fazendo na Europa, eu faço aqui, na praia. Como programador, o mundo é o limite. Afinal, só preciso de uma conexão de banda larga e de um computador rápido. Dessa forma, chega ao fim o ostracismo virtual auto-infingido por mim, necessário para colocar as coisas em ordem e me adequar a essa nova realidade. Eu tinha que dar uma parada, me desintoxicar da Matemática e apertar o CTRL + ALT + DEL .Às vezes, quando chove :), sinto falta da sala de aula, mas é apenas uma nostalgia residual, fruto de 16 anos de magistério. Boas e necessárias lembranças de uma época em que valia a pena ensinar. Acho que escolhi o momento certo pra sair. Agora, volto a ser meu próprio empregador. Decidi colocar em prática uma ideia antiga de uma empresa de desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e esta região tem se revelado o lugar perfeito para isso. Bermuda e camiseta até para ir ao banco.

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Mas este não é meu principal projeto. O meu maior projeto estava sentado no meu colo agora a pouco e completa um ano e meio no dia 12 de agosto: meu filho Cristian Oliver. Sei que vão dizer que sou um pai-coruja babão, mas admito que a gente perde mesmo a noção com a paternidade. Vou citar um exemplo. Quando ele nasceu, parecia pra mim a criança mais linda de todo o mundo. E todos me diziam isso. É a sua cara. Ele nasceu grande, com 4,35 kg e era lindo. Indiscutível. Agora, olhando as fotos daquela época, tenho vontade de dar uns tapas em quem falou isso. Ele não tinha sobrancelhas e parecia uma tartaruguinha, a minha tartaruguinha, mas uma tartaruguinha. Não parecia comigo. Eu tenho sobrancelhas! Cabelo? Nem tanto, mas sobrancelhas eu tenho. Dizem que os bebês tem cara de joelho, mas alguns parecem tartarugas. Acredite. 🙂

Essa foto registra o dia mais feliz da minha vida. E mais emocionante, com certeza! E com AC/DC como trilha sonora!

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Ele nasceu grande e sempre à frente dos marcos de idade. Nem pude curtir muito o canguru, pois quando ele atingiu a idade, só pude usar cerca de um mês por causa do peso. As roupas? Nada de RN (recém nascido), ele teve uma passagem rápida pelo P e logo depois M. É complicado, temos que planejar. E as fraldas? Não acho que minha mãe tenha gastado tanto em fraldas comigo, afinal elas eram de pano e tinham que ser lavadas naquela época. Hoje só posso dizer: “Desculpe, Mãe!”, pois eu só tenho o trabalho de jogar fora o resultado da mistura de uma arma de destruição em massa com uma arma biológica. Como eles conseguem fazer isso só tomando leite e comendo papinha? Não consegui ler enxofre como ingrediente de nenhum deles 🙂

Hoje sim, ele é lindo, andando e correndo sem medo de nada. Como toda criança. E o medo agora passou para mim na forma de precaução. Agora, eu entendo o que um amigo me disse quando eu fazia paraquedismo e era um viciado em adrenalina: “Lenilton, eu nunca poderia saltar, pois toda vez que fechasse os olhos para abrir o paraquedas, veria o rosto do meu filho e pensaria no que poderia dar errado.”. A paternidade muda a gente, nos torna mais responsáveis, mais precavidos. Não pretendo deixar de fazer o que fazia, só que agora sem radicalidades, de pousos forçados, de riscos desnecessários. Até porque a areia aqui é bem mais fofa que o chão duro do cerrado.

Ser pai nessa fase, é um trabalho em tempo integral. Ás vezes, ele parece o bonequinho de uma velha propaganda da Duracell, tocando tambor e que não parava nunca. Não entendo onde ele consegue tanta energia. Aqui, ele tem espaço para brincar num enorme quintal, tem a praia e nenhum risco de sequestro relâmpago. É meio estranho viver sem câmeras de vigilância (em Brasília, eram 8), sem grades e sem a neura de que toda pessoa suspeita é um ladrão em potencial. Isso muda a gente. Se param pra te perguntar algo, seu primeiro pensamento (dependendo da aparência) é que se trata de um assalto. Isso endurece as pessoas, acaba com a cortesia, com o velho e educado “Bom dia” comum por aqui. Não era o melhor lugar para criar uma criança. Aqui, podemos educá-lo de outra forma, pois o pobrezinho tem pela frente um super desafio. Idiomas básicos: português, romeno e inglês. Para falar com as tias e primos que moram fora: alemão e italiano. Se ele tiver a facilidade que a mãe tem para aprender idiomas, ele está salvo. Ela fala português (+-), inglês, romeno, italiano e francês.

Me surpreendendo a cada dia com a inteligência dele e vejo como nossas gerações são diferentes. Antes, meus pais se impressionavam quando eu e minhas irmãs andávamos, falávamos alguma coisa, sei lá. Hoje, os “milestones” são diferentes. Lembro da primeira vez que ele desbloqueou o Iphone, pra ver os filmezinhos dele. Hoje, ele manipula o Ipad com uma naturalidade que me surpreende. Se ele faz isso com um ano, me assusto em pensar no que ele vai fazer com 5. E por falar em filmezinhos, tudo muda na vida da gente. Estou a oito meses ouvindo “O sapo não lava o pé, não lava por que não quer…” e essa é a playlist do meu Iphone e do da mãe dele. Não saia de casa sem um I-treco carregado com muita munição de galinha pintadinha, os piratinhas e outras músicas. A única coisa que ele não reclama quando ouve, diferente de sua playlist é AC/DC. Deve ser uma lembrança do parto e da época na barriga.

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E por falar em galinha pintadinha, lembrei que nunca tinha prestado atenção nas letras sem sentido. E eu ouvia isso. Vamos começar:

  • “Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu…” – O que é isso? Uma ode à violência? (No final, tentam consertar)
  • “Pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão.Vem de lá seu delegado e pai francisco foi pra prisão…” Qual a acusação? Pedofilia? (Veja o vídeo, ele é meio suspeito)
  • “Motorista, motorista, olha o poste, olha o poste. Não é de borracha, não é de borracha. Vai bater! vai bater!” O que é isso? Premonição 6? (Nós cantávamos: é de ferro, é de ferro)
  • “A barata diz que tem um chinelo de veludo, é mentira da barata, ela tem o pé peludo. Ha ha ha ho ho ho, ela tem o pé peludo..” Isso é bullying!
  • “Marcha soldado, cabeça de papel, quem não marchar direito, vai preso no quartel. O quartel pegou fogo, São Francisco deu sinal…” Como assim? Do céu? (Não seria… a polícia deu sinal?)
  • “Borboletinha tá na cozinha fazendo chocolate para a madrinha. Poti-poti, perna de pau, olho de vidro e nariz de pica-pau…” Que rima pobre e receita ridícula. O que é poti-poti? Isso existe? E cadê o cacau?
  • “A canoa virou, por deixá-la virar, foi por causa do indiozinho que não soube remar…” Essa frase não faz sentido (Não seria… quem deixou ela virar?)

Sem falar na pomba periguete, no sapo porquinho e outros maus exemplos… Brincadeiras a parte, percebi que tenho que prestar atenção no que ele ouve, pois agora ele é como uma esponja. Aprende tudo e rápido.

Mas, ao mesmo tempo, é fascinante ver seu desenvolvimento. Acompanhar um ser frágil que tem metade de sua carga genética e que começou como um feijãozinho. Lembro do primeiro ultrassom e da primeira vez que ouvi seu coração. Sempre me emociono, ao lembrar.

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Todo dia é uma coisa diferente. Correr das ondas na praia, correr da gente na praia, correr atrás de alguém que passa correndo na praia. Correr, correr, correr. Antes, eu pensava em colocar um capacete, uma joelheira e cotoveleira nele, mas já abandonei a ideia. Ele já aprendeu a cair usando técnicas de rolamento e judô. Deve ser genético. 🙂 Outro dia, a mangueira não funcionava. Não saia água para molhar o jardim. Como assim? Ao desconectar, o que encontramos? Vários gizes de cera. Como foram parar lá? Adivinhem. Ao entrar no carro, me sinto um verdadeiro piloto. Por que? Por ter que verificar TODOS os botões do painel, do ar condicionado ao limpador traseiro. Uma vez, entrei no carro e liguei o ar. Ao andar uns 500m, já estava suando (o ar condicionado aqui é essencial). Como assim? O ar condicionado da Pajero é congelante. Ao olhar o painel, lá estava a temperatura máxima selecionada. Agora, a mais nova diversão é brincar com o comando de voz do telefone, a Siri. Entretanto, não tem graça quando ele liga para a tia, na Itália, falando bebenês moderno. E o pior é que a Siri entendeu o que ele falou.

Pretendo oferecer a ele tudo o que meus pais me ofereceram, só que mais cedo. Ele vai voar de parapente, vai mergulhar e, se gostar, vai seguir seu próprio caminho. Minha função é mostrar os caminhos e torcer para que a escolha dele seja sábia. Tenho plena convicção do significado da palavra EDUCAR e pretendo fazer com que ele também tenha. Entendo que alguns pais tenham tentado proteger os filhos dos fracassos e o que posso dizer é que, às vezes, aprendemos mais com os fracassos do que com o sucesso. Tive a sorte que ter podido aprender muito com o fracasso dos outros, poupando-me dos meus, e aprendi muito com isso. Contudo, também tive lições aprendidas com pais de alunos. A mais impactante foi de uma mãe de aluna no Notre Dame que foi à escola para apoiar a filha. Detalhe: a filha era reincidente em cola e eram provas de recuperação. Eu a peguei com um celular dentro da calça, com as respostas das questões (algumas erradas, pois a fonte não era das mais inteligentes) e uma confissão. A mãe, advogada (dessas de porta de cadeia), tentou virar a situação contra a escola, dizendo que a escola não tinha o direito de pegar o celular, que nem todas as respostas eram corretas e barbaridades do tipo. Para ela, o erro da filha não foi trapacear, foi ser pega. E as duas foram para casa, não como mãe e filha, mas como parceiras no crime. Em nenhum momento, a aluna viu a frase “sua mãe será chamada à escola” como um problema, mas sim como a solução. No final das contas, por medo ou por um conceito deturpado do que seria educar, a aluna foi aprovada. Naquele dia pensei: existem pessoas que não deveriam ter o direito de ter um filho, pois não estão preparadas para isso.

Entretanto, assim como citei esse exemplo, posso citar outros mil de alunos que gostaria que fossem meus filhos, pois tenho muito orgulho de ter passado por suas vidas e tido contato com o respeito, a educação, o esforço e os valores. É esse o meu sentimento final sobre a experiência de ensinar. Muitos continuam a me deixar orgulhosos com suas conquistas, mesmo a distância, graças às redes sociais. Espero que o meu filho seja como alguns deles foram pra mim, que ele consiga vencer sem trapacear, que absorva os valores transmitidos por mim e pela mãe, que possa ser uma pessoa melhor do que eu sou. Eu só posso agradecer ao meu pai, em primeiro lugar pela inteligência (que herdei dele), pela educação e pelos valores e lições ensinadas. Algumas sem dizer nada, outras pelas ações e exemplos, mas que, com certeza, definiram meu caráter e a pessoa que sou. (Mãe, agradeço à senhora no Dia das Mães 🙂 )

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É isso. No Dia dos Pais, aproveite para valorizar o seu, se ainda o tiver por perto. Se não, aproveite para lembrar dos bons momentos (ele estará olhando por você onde estiver) e agradecer. Não pela metade da carga genética mas, acima de tudo, pelos valores, pelo caráter e pela educação. Coisas com as quais não se nasce, são aprendidas e, quando ensinadas, mudam a sua vida. Você é fruto disso. Saiba valorizar! Faça com que ele sinta orgulho de você! É o maior presente que você pode dar!

Feliz Dia dos Pais a todos!

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Cotidiano

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