Aug 20, 2007
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Uma viagem na intimidade de Clarice Lispector

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“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”
Clarice Lispector

Clarice Lispector (ucraniano: Кларісе Ліспектор) (Tchetchelnik, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira nascida na Ucrânia, na época uma República Socialista Soviética.
De família judaica, emigrou com a família para o Brasil quando tinha apenas dois meses de idade. Começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade de Recife. Clarice falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Mas ela cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno familiar, o iídiche.
Em 1944 publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando a difícil realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo solto elíptico, e fragmentário, que críticos reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, se bem que ainda mais revolucionário. Em verdade, a obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice). Seu romance mais famoso, embora menos característico quer temática quer estilisticamente, é A hora da estrela, o último publicado antes de sua morte. Este livro narra a vida de Macabéa, uma nordestina criada no estado de Alagoas que migra para o Rio de Janeiro, e vai morar em uma pensão, tendo sua vida descrita por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M. Escolher seu melhor romance, contudo, é sempre polêmico. A crítica se divide entre A Paixão Segundo G.H. e Água Viva. Faleceu de câncer (cancro) em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Foi inumada no Cemitério do Caju, também na capital fluminense.
Fonte: Wikipédia

Quem passar pela cidade de São Paulo não pode deixar de conferir a exposição sobre Clarice Lispector, uma revolucionária pela forma e conteúdo que escrevia, que considero particularmente, embora literatura brasileira não seja uma de minhas paixões, uma escritora deslocada no tempo, que não possui as demais características dos escritores da época, pelo que me lembro de meus tempos de Ensino Médio. E antes que role uma piadinha, não faz tanto tempo assim! 🙂
A maturidade me fez entender mais as expressões presentes nas paredes e sua profundidade o que, quando adolescente, não teria como compreender. Realmente, ela era genial. O espaço é envolvente e aconchegante. Repleto de gavetas, algumas com conteúdo e outras vazias e trancadas ilustram o que seria as várias facetas da vida de Clarice Lispector. Seria como se você fosse colocado dentro da mente dela, podendo acessar suas memórias, lembranças e um pouco de sua vida privada. O conteúdo dessas gavetas vai desde os seus documentos de identidade, até manuscritos e os primeiros rascunhos de suas obras, a maioria datilografada.
Levei uma câmera e após tirar algumas fotos (sem flash, é claro), fui informado que fotos eram proibidas. Tarde demais.
Destaco algumas.
[photopress:clarice1.jpg,full,centered] Gavetas colocadas nas paredes da exposição

[photopress:clarice2.jpg,full,centered] Documentos de Clarice

[photopress:clarice3.jpg,full,centered] Trechos de suas obras decoram as paredes

A exposição está localizada no 1º andar da Estação da Luz, a entrada é de R$2,00 e aos finais de semana é gratuita.[photopress:esta__ao_1.jpg,full,centered]

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Literatura

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